Disco de vinil: os cinco mais do Brasil

Disco de vinil em ascensão. Alguns deles são cultuados e transformados em verdadeiras preciosidades em plena era digital.
O seu período áureo se estendeu dos anos cinquenta até fins da década de oitenta. Desde então, o disco de vinil foi perdendo a sua hegemonia para outras formas mais inovadoras de se ouvir música, como o compact disc (CD) e o MP3.
A partir daí, os indivíduos começaram a se desfazer dos seus “bolachões”, principalmente depois do advento da internet que tornou possível baixar imensas quantidades de músicas de várias partes do mundo. Hoje em dia, a música virtual está espalhada entre blogs, vídeo-blogs e pelas mais diversas redes sociais (Last.fm, SoulSeek, You Tube, etc).

Mas, em plena era digital, o suporte material do vinil vem encantando muita gente outra vez. Especialmente os colecionadores, que passam a valorizá-lo a ponto de alguns discos serem cultuados e transformados em verdadeiras preciosidades. Aqui no Brasil, por exemplo, existem cinco Lps nacionais que são considerados raros e estão entre os mais procurados por essas pessoas aficionadas.

Capa do disco de vinil Paêbirú

Capa do lp Paêbirú

O primeiro da lista é Paêbirú – Caminhos da Montanha do Sol – de Lula Côrtes e Zé Ramalho, com participações de Paulo Rafael, Robertinho do Recife, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, entre outras feras da música brasileira.

Trata-se de um disco de vinil duplo lançado no ano de 1975, em homenagem à Pedra do Ingá, localizada no sítio arqueológico de Ingá do Bacamarte, no estado da Paraíba, onde se encontravam as misteriosas inscrições rupestres que inspiraram as letras do álbum.

Foram gravadas onze faixas que remetem aos quatro elementos básicos da formação do universo: Terra, Água, Fogo e Ar.

Encarte do disco Paêbirú

Encarte do álbum duplo Paêbirú

Isso acabou resultando em um dos trabalhos musicais mais curiosos do cenário nacional, repleto de misticismo e mistura de ritmos nordestinos com improvisos jazzísticos, percussão tribal com guitarras elétricas, além de experiências de estúdio que ainda hoje chocam por sua radicalidade.
Nenhum outro trabalho semelhante foi realizado antes ou depois na história da MPB. Vale dizer também que o disco se consagrou como um dos marcos iniciais não declarados do rock psicodélico no Brasil.

Tais características peculiares do vinil o tornaram uma relíquia, sobretudo após a maioria de suas cópias ter sido atingida por uma enchente do rio Capibaribe, no Recife (PE), às margens da gravadora Rozenblit, em 1975. Dos 1300 exemplares prensados na época, aproximadamente 1000 foram destruídos, inclusive a fita máster.
Por causa disso, estima-se que cada um dos 300 remanescentes custe hoje no mercado, em média, R$4 mil, estando assim entre os discos de vinil mais caros do pais, de acordo com a revista porto-alegrense Noize (2014), publicação mensal especializada em música, moda, cultura e temas afins. Esse preço, no entanto, pode atingir até R$11 mil no site Mercado Livre, plataforma de comércio eletrônico voltada para anúncios de compra, venda e envio de produtos por meio da internet.
Ouça as músicas do Lp

Capa do primeiro lp de Roberto Carlos

Primeiro lp de Roberto Carlos

Outro lp que faz parte da lista dos mais desejados pelos colecionadores é Louco por Você, de Roberto Carlos, o primeiro de sua carreira, gravado em 1961. É o único registro da fase pré-jovem guarda do músico, quando este era visto apenas como um mero imitador de João Gilberto.

O repertório musical do disco se constitui de boleros, tcha tcha tchas, baladas e bossa nova, ainda sem os acordes do iê iê iê, ritmo que consagraria Roberto Carlos anos mais tarde. A história desse vinil se tornou uma lenda na vida do cantor, que jamais permitiu o seu relançamento.

Entre os motivos para essa decisão, há rumores de que o artista havia desafinado logo na primeira faixa do lp, num bolero chamado “Não é por mim”. Fala-se também que a música, ao questionar a existência de Deus em sua letra, incomodaria sobremaneira Roberto Carlos.
Existe ainda, segundo alguns relatos, o inconveniente de um suposto desentendimento ocorrido entre o cantor e Carlos Imperial; este produtor do disco e padrinho daquele em seu início de carreira.

Boatos não faltam em torno desse lp, inclusive sobre a foto de sua capa, com um casal apaixonado, que não teria agradado ao artista. Comenta-se que a imagem teria sido uma ideia copiada do álbum de um tecladista americano chamado Ken Griffin.
Seja como for, o fato é que Louco por Você está entre os dois únicos discos do “rei” a não trazer uma foto sua na capa. O outro trata-se de um vinil lançado em 1970, Roberto Carlos narra Pedro e o Lobo, onde o músico conta uma história infantil pedagógica do compositor russo Sergei Prokofiev.
E por último, cabe lembrar também que Louco por Você exibe, na contra-capa, um erro referente ao local de origem do cantor. Nela, está escrito que ele nasceu no Rio de Janeiro, mas o certo é no estado do Espírito Santo.

Diante de todas essas circunstâncias arroladas, o disco virou uma raridade e pode custar até R$3.500 (NOIZE, 2014). Já no site Mercado Livre, esse mesmo lp chega a alcançar a cifra de R$7.000.
Ouça as canções do disco

 Primeiro disco oficialmente de Gilberto Gil

Disco compacto. Primeiro de Gilberto Gil

O próximo disco mais cobiçado pelos amantes do vinil é um compacto duplo, em 33 RPM, com o título de Gilberto Gil: sua música, sua interpretação.
Lançado em 1963, ele é o primeiro registro fonográfico oficialmente reconhecido pelo cantor. O seu repertório musical ainda não tinha nada a ver com o som do movimento tropicalista, do qual Gil se tornaria um de seus fundadores, posteriormente.

Todas as quatro faixas do compacto são de autoria do próprio músico. Duas delas apresentam melodias animadas e suingadas, ao estilo do samba-canção orquestral, como em “Serenata do Teleco-Teco” e “Vontade de Amar”. Já nas outras restantes, “Maria Tereza” e “Meu Luar, minhas Canções”, percebe-se claramente a influência da bossa nova, com vocais bem trabalhados e acordes mais elaborados.

Gravado pela JS discos, o compacto marcou o início da trajetória solo de Gilberto Gil, aos 20 anos, dentro da música popular brasileira. Seu valor aproximado está por volta de R$3 mil, conforme a revista Noize (2014). No site Mercado Livre, pode-se encontrar o lp por até R$4.950.
Escute as músicas do disco

Na sequência das raridades nacionais está o disco Jorge Ben: On Stage, de 1972. É um dos raros registros, ao vivo, do cantor na época. Há quem diga que foi o único. A sua gravação ocorreu no Japão, e o lançamento aconteceu apenas nesse país.

Capa do disco Jorge Ben: On stage

Capa do disco Jorge Ben; On stage

Só existe essa edição do lp, já que não há conhecimento de que ele tenha sido reprensado.
Durante a gravação do show, Jorge Ben estava acompanhado do Trio Mocotó e tocou sucessos dos seus discos de 1963, 1964, 1969 e 1970.

Algumas músicas mais novas também foram apresentadas como “Vendedor de Bananas”, gravada pelos incríveis, “Ta na Hora” e o famoso “Hino do Flamengo”, que o músico gravaria na íntegra, num compacto, no ano de 1973.
O preço desse álbum chega a alcançar R$3 mil, avalia a revista Noize (2014). Um custo que sobe para R$7.499, no site Mercado Livre.
Ouça o disco

E finalizando a lista dos discos de vinil mais cotados entre os colecionadores, o destaque é para Let me Sing my Rock’n’Roll, de Raul Seixas, lançado em 1985. O primeiro lp da história da música que foi concebido e produzido por um fã-clube oficial, o Raul Rock Club.

Capa do disco Let me sing my rock'n'roll de Raul Seixas

Capa do disco de Raul Seixas – 1985

O disco teve tiragem limitada de apenas mil exemplares, transformando-se rapidamente em uma raridade. Ele entrou para discografia oficial de Raul Seixas, porque possui músicas inéditas que foram esquecidas pelas gravadoras, bem como depoimentos não inclusos em outros lps oficiais.
Entre as faixas do disco estão “Canto para minha morte”, que foi inserida no repertório a pedido do próprio músico.
Presume-se que esse vinil possa valer R$2.300 no mercado das raridades, segundo a revista Noize (2014).

Ouça as músicas do Lp

Referências:
REVISTA NOIZE.
PORTAL UOL.

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