Renato Russo, até parece que foi ontem

Lá se vão Vinte Anos de Saudades do Renato Russo. Vários eventos já começaram para homenagear a sua pessoa e o seu legado. 

Renato Russo vive para sempre

Renato Russo é para sempre

Mesmo depois de 20 anos sem Renato Russo, a sua obra resiste ao tempo e se mantém atual, fazendo sentido principalmente entre os mais jovens.
Em 2008, o seu nome chegou a alcançar o 25º lugar na lista dos Cem Maiores Artistas da Música Brasileira que foram eleitos pela revista Rolling Stone do Brasil.
Hoje, o legado que ele deixou certamente lhe concede um status de vanguarda, porque o seu trabalho solo e os álbuns produzidos com a legião se transformaram em verdadeiros clássicos da nossa música.

11 de Outubro de 1996. O tempo passou, mas a saudade não. Por isso, celebrar a vida e a obra desse grande poeta do rock é a melhor forma de manter a sua lembrança sempre presente.

E vários projetos já vêm sendo organizados desde o ano passado com essa intenção. São diários, livros, romances, biografias, coletâneas de gravações, caixas especiais com materiais extras, além de peças de teatro, filmes e exposição de objetos pessoais.

Só por Hoje e para Sempre, livro de Renato Russo.

Leia um trecho do livro

O resgate desse vasto acervo memorial começa com a obra “Só por Hoje e para Sempre”, que foi lançada em 2015 pela editora Companhia das Letras.

Trata-se de um diário escrito pelo próprio Renato, em 1993, enquanto esteve internado numa clínica de reabilitação para dependentes químicos.

Nele, o cantor faz um relato de sua vida, aprofundando-se no seu autoconhecimento e refletindo a respeito da sua dependência, além de recordar momentos do seu passado e do grupo Legião Urbana.

 

Brasil, que pais é este: Cazuza, Renato Russo e a transição democrática

Leia um trecho do livro

Outra publicação também lançada em 2015 foi “Brasil, que País é Este: Cazuza, Renato Russo e a Transição Democrática”, da editora Civilização Brasileira.

De autoria do mestre em sociologia e jornalista Mário Luís Grangeia, o livro reúne letras de músicas e entrevistas dos dois líricos do rock, como forma de analisar o autoritarismo, o patriotismo, a ideologia, as desigualdades e a orientação sexual na passagem da ditadura para a democracia brasileira.

As obras e as declarações públicas dos dois artistas são analisadas à luz da conjuntura nacional. E revelam por que Cazuza e Renato Russo deixaram marcas inesquecíveis na construção da cidadania brasileira.

Ainda no campo da literatura, há um destaque inédito que é o recém- lançado “The 42nd. St Band – Romance de uma Banda Imaginária”.

Livro The 42nd St. Band - Romance de uma Banda Imaginária

Capa do livro

A história se passa em Londres, no ano de 1974, e foi escrita em inglês pelo então garoto de 15 anos, Renato Manfredini Jr, durante a recuperação de uma cirurgia.

Redigida em cadernos e folhas soltas, a narrativa conta a trajetória de um grupo musical fictício cujo nome era The 42nd St. Band. O seu vocalista se chamava Eric Russel; personagem este que, numa espécie de alter ego, acabaria tornando-se inspiração para o futuro sobrenome artístico do próprio autor da história: Russo.

Todo esse material foi recolhido e, traduzido para o português, virou um livro que mostra projeções imaginativas de como seria viver no mundo do show business, cercado de turnês, relações com gravadoras, mídias, imprensa, indústria fonográfica, etc.
Ou seja, é o romance de um Renato adolescente cheio de sonhos que, mais tarde, vieram a ser transformados em realidade com a Legião Urbana.

E para encerrar o segmento das publicações, vale conferir o relançamento da mais completa biografia do cantor: “Renato Russo – O filho da Revolução”. A obra é de 2009, mas agora foi revista e atualizada pelo seu autor, o jornalista Carlos Marcelo.

Renato Russo - O filho da Revolução. Reeditado

Nova capa do livro

O seu conteúdo começa abordando os anos 1970, vividos pelo introspectivo adolescente Renato Manfredini, numa Brasília sob o jugo da ditadura militar. Em seguida, passa a mostrar toda a efervescência cultural e política da década de 80, até chegar no apogeu daquele que seria o líder da maior banda do rock brasileiro.

A nova edição contém diversos acréscimos substancias como, por exemplo, um caderno de fotos coloridas e um capítulo inédito de entrevistas com amigos e colegas do vocalista.
É o caso de Marisa Monte que, junto com Renato, assinou a música “Soul Parsifal”, incluída no disco “A Tempestade, de 1996.
No livro, Marisa relata como foi participar do processo criativo da música e revela também as suas impressões do cantor.

Da leitura para audição, todas as expectativas estão girando em torno de um projeto fonográfico intitulado de “Viva Renato Russo 20 Anos“.
12 grupos da nova geração do rock nacional prestarão um tributo ao artista fazendo releituras das canções da legião. Eles têm estilos diversificados e são provenientes de várias partes do país:

  • Uh La La de Curitiba – New Age;
  • Supercordas de Niterói (RJ) – Psicodélico;
  • Plutão já Foi Planeta de Natal (RN) – Pop;
  • A cantora gaúcha Duda Branck – Rock experimental;
  • República de São Paulo – Metal;
  • Far From Alaska da tecladista e cantora paulista Cris Botarelli – Stoner rock;
  • Baleia do Rio de Janeiro – Rock experimental;
  • Vespas Mandarinas de São Paulo – Pop/Rock;
  • Facção Caipira de Niterói (RJ) – Country rock;
  • Selvagens à Procura da Lei do Ceará – Pop/Rock;
  • Molho Negro do Pará, no estilo Garage rock;
  • Codinome Winchester de Campo Grande (MS), na categoria Pop/Rock.

O Álbum trará ainda duas faixas bônus com a apresentação da cantora japonesa Tsubara Imamura e do cantor espanhol Sepiurca Zukin. O seu lançamento está previsto para outubro, e a coletânea será distribuída gratuitamente via streaming digital no Spotify e também por CDs.

Outra novidade que vem por aí é uma caixa com quatro álbuns solo de Renato Russo. Batizada de “A força de uma Vida“, ela promete trazer uma série de extras.

Já no que se refere à dramaturgia, cumpre ressaltar o espetáculo “Renato Russo – O Musical”, uma remontagem de “Renato Russo – A Peça” que ficou em cartaz entre 2006 e 2010.
Toda a trajetória artística e pessoal do cantor é reconstruída a partir de uma minuciosa pesquisa em letras, depoimentos e entrevistas, matérias jornalísticas, livros, imagens de shows solo e também com a Legião.

Grupo musical Arte Profana

Integrantes da Banda Arte Profana

A peça é um monólogo-musical encenado pelo ator Bruce Gomlesvsky que interpreta Renato Russo, dando voz e vida às suas canções. Ao vivo e entre projeções de imagens, a banda Arte Profana também executará 22 sucessos do grupo e de Renato solo.
O espetáculo tem estreia marcada para 11 de outubro, no Centro Cultural dos Correios, na cidade do Rio de Janeiro.

No rol das homenagens a Renato Russo está incluso ainda um filme, que vem sendo produzido baseado na letra de uma de suas composições. Trata-se de uma adaptação de Eduardo e Mônica, música que está no disco II da Legião, de 1986.
A direção fica por conta de Renê Sampaio, o mesmo de Faroeste Caboclo, lançado em 2013, que contava a saga de João do Santo Cristo.

E finalmente, em 2017, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS) pretende fazer uma exposição dos pertences de Renato e da mobília de seu apartamento, no Rio de Janeiro, que continua preservado sem qualquer alteração desde de 1996.
A amostra apresentará peças de teatro escritas pelo cantor e inéditas até hoje, letras de músicas também desconhecidas, desenhos, pinturas, roupas usadas em shows, além de objetos pessoais como discos, CDs, livros, etc.

Referências:
Revista Rolling Stone Brasil. Os 100 Maiores Artistas da Música Brasileira. Edição 25. Outubro, 2008.
Site Renato Russo Oficial

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